segunda-feira, 18 de junho de 2012
Somos de fato discípulos de Cristo? - Por Kátia Cleone Neves.
A
sociedade contemporânea vive de forma frenética, buscando encontrar a solução
para os seus problemas e a satisfação dos seus desejos. Isso tem levado muitos
a um hedonismo desenfreado, a uma busca fruitiva pelo prazer, pela realização
pessoal, independente do sentimento do outro, de valores morais ou éticos.
Esse
contexto é a característica de uma sociedade cujo fundamento basilar é uma
cosmovisão humanista, onde o certo e o errado são apenas concepções pessoais,
onde tudo é relativo, e então cada um faz o que achar melhor.
O
mundo jaz no maligno, diz a palavra de Deus, (1 Jo 5.19) sendo assim não nos
surpreende este contexto contemporâneo. O que me preocupa e me deixa triste é
que essa cosmovisão tem sido aceita por muitos que se dizem “cristãos”.
Mas
o que é ser Cristão? Segundo John MacArthur “Cristão é alguém cuja fé se
expressa em submissão e obediência” É alguém cuja vida é pautada pelos
ensinamentos bíblicos, por uma cosmovisão cristocêntrica, ou seja, alguém que
reconhece e se submete ao senhorio de Cristo Jesus.
Essa
falsa teologia da prosperidade tem deturpado o evangelho de Jesus Cristo,
ensinam um evangelho sem renuncia, sem compromisso, apresentam apenas o
Salvador e todas as bênçãos advindas da Salvação, mais retiram o Senhor e sua
soberania sobre nossas vidas.
Ser
um discípulo de fato de nosso Senhor é crer com uma fé que nos leva a obedecer
a tudo o que Jesus ensinou. É renunciar o próprio eu, é seguir a Cristo “pelo
jardim e pela cruz”. Segundo Charles H. Spurgeon.
“Será que um homem que ama o seu Senhor estaria disposto
a ver Jesus vestindo uma coroa de espinhos, enquanto ele mesmo almeja uma coroa
de louros?Haveria Jesus de ascender ao trono por meio da cruz, enquanto nós
esperamos ser conduzidos para lá nos ombros das multidões, em meio a aplausos?
Não seja tão fútil em sua imaginação. Avalie o preço e, se você não estiver
disposto a carregar a cruz de Cristo, volte à sua fazenda ou ao seu negócio e
tire deles o máximo que puder, mas permita-me sussurrar em seus ouvidos: “Que
aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?”
quinta-feira, 26 de abril de 2012
Valores invertidos - Por Kátia Cleone Neves.
Nossa vida moderna nos mergulha muitas vezes em um ritmo febril: pressões, preocupações e lutas constantes para conservar o que temos, para progredir, para alcançar o sucesso.
Isso pode nos fazer esquecer quem somos e talvez deixarmos de apreciar o mundo que nos rodeia: o canto dos pássaros, a cor do céu em um radiante dia de verão, uma flor, um abraço, um afetuoso bom dia.
É triste perceber que na sociedade contemporânea é dado mais valor as coisas do que as pessoas. Vale mais o ter do que o ser.
Lembro com saudades do meu tempo de criança, enquanto brincávamos despreocupados, nossos pais conversavam com os vizinhos no portão, riam, se ajudavam. Hoje os relacionamentos são superficiais, construímos cercas que separam, quando deveríamos construir pontes que aproximam.
Infelizmente essa inversão é visível também no contexto religioso, muitas igrejas esqueceram seu papel, sua missão, as mensagens pregadas glorificam o homem, e aquilo que ele possui: casa, carros, posição, esquecem do Ser: ser... Sal da terra; ser... Luz do mundo; ser... Imitador de Cristo, ser... Servo.
Até mesmo em seu relacionamento com Deus, muitos têm invertido os valores, agora muitos acreditam que o Deus todo Poderoso virou um simples gênio da lâmpada, então é só ordenar, determinar, profetizar que ele tem a obrigação de sair correndo para realizar. O SENHOR dos Senhores, virou servo e tem que obedecer a determinação dos meros mortais.
Precisamos com urgência recordar o essencial: Quem somos? Qual a nossa missão? Onde está a nossa verdadeira riqueza?
É necessário tirar os olhos e o coração daquilo que é passageiro, efêmero, temporal, e olhar para aquilo que é eterno. Precisamos conhecer o nosso Deus por aquilo que ele revela dele mesmo em sua Palavra.
E então com o coração e a mente focalizados em Deus, e com metas essenciais em foco, chegaremos em fim ao final do caminho, e concluiremos alegres que nada se compara com o que Deus tem preparado para aqueles que são fieis.
Felizes vamos concluir que valeu a pena perseverar fiel até o fim.
quinta-feira, 19 de abril de 2012
Paz. Um presente de Deus para você! - Por Kátia Cleone Neves.
Vivemos em um mundo cheio de aflições. Porém diante das circunstâncias da vida não devemos desanimar ou perder a fé. Deus deseja comunicar através do seu Santo Espírito a sua Paz aos nossos corações.
A paz de Deus não é uma negação da realidade, é a capacidade que Ele nos dá de enfrentarmos a realidade com a nossa fé, também não é uma fuga da situação real que nos envolve, mas a capacidade de enfrentar a situação alicerçados na Rocha Firme que é Jesus.
Esta paz que excede todo o entendimento é caracterizada pela segurança que sentimos em nosso íntimo, que a despeito da dor, das angustias, das lágrimas, das perdas e decepções, sabemos bem lá no âmago do nosso ser que Deus está no controle.
A paz que nos é dada por Deus é algo que não precisamos necessariamente entender. Nem sempre vamos conseguir entender como ela opera em nossas vidas. Mas precisamos ter firme em nossa mente que ela está disponível a nos por meio da fé, e isto vai muito além da nossa capacidade de compreendê-la. É graça, amor, misericórdia, ou seja, são dádivas ofertadas a mim e a você por um Deus de amor.
A paz de Deus deve ser um estado de espírito permanente. Os problemas vão chegar e muitas vezes podem nos pegar desprevenidos, nossa resposta imediata pode ser o pânico, a ansiedade e o medo. A figura da paz, no entanto, nos dá rapidamente uma força que cresce em nosso interior.
Essa força que recebemos é a atuação do Espírito Santo em nossas vidas, comunicando sua paz ao nosso coração, e assegurando-nos que Ele está conosco, que não vamos passar pelo vale sozinhos, mas bem seguros por suas firmes e poderosas mãos.
Como servos de Deus não estamos imunes as circunstancias difíceis da vida, mas temos a promessa de Deus em sua Palavra que o Espírito Santo estará sempre presente para nos ajudar, desta forma os problemas que nos sobrevierem não irão nos arrancar de nossas bases ou nos lançar em um redemoinho, ele será apenas um vale em nossa vida, que vamos atravessar, pois nosso amado consolador está nos guiando pelo caminho.
O desejo do amável coração do Pai, é que eu e você possamos viver seguros em seu cuidado e proteção. Que possamos crer em sua Soberania e assim descansar.
A paz profunda, genuína, dada por Deus deve ser o padrão no qual devemos viver nosso cotidiano, e os períodos de ansiedade e frustrações apenas os vales que ocasionalmente nos atingem em tempos de crise. O padrão desejado por Deus para você é um coração ancorado na Paz.
Então receba este maravilhoso presente de Deus para você:
PAZ!
sábado, 7 de abril de 2012
A honra ao próximo - Por: Kátia Cleone Neves.
Não dirás falso testemunho (ÊX 20. 16; Dt 5.20)
Tratando dos
relacionamentos interpessoais, vamos comentar sobre o nono mandamento que nos adverte quanto à honra do próximo.
Conforme (REIFLER, 2009, p. 219)
A proteção da honra humana é
fundamental para a convivência social de qualquer comunidade ou nação. Nenhum
homem deseja que sua reputação ou o bom nome de sua família sejam atingidos. A
honra talvez seja a parte mais sensível do ser humano.
Fazer uma falsa acusação é o mesmo que mentir, e a
mentira é fortemente condenada na palavra de Deus. O diabo é chamado de pai da
mentira, fica evidente então que aqueles que amam e praticam a mentira são seus
filhos.
Vós tendes por pai ao diabo e quereis
satisfazer os desejos de vosso pai; ele foi homicida desde o princípio e não se
firmou na verdade, porque não há verdade nele; quando ele profere mentira, fala
do que lhe é próprio, porque é mentiroso e o pai da mentira (BÍBLIA, Jo 8.44).
Satanás arruinou ao primeiro casal com uma pergunta falsa
“Será que Deus disse?” (BÍBLIA, Gn 3.1). Não dizer falso testemunho inclui
também: não espalhar notícias falsas, “Não admitirás falso rumor e não porás a
tua mão com o ímpio, para seres testemunha falsa” (BÍBLIA, Êx 23.1). Não
espalhar mexericos, “Não andarás como mexeriqueiro entre o teu povo” (BÍBLIA,
Lv 19.16). Não usar de falsidade e fraude para com o próximo. “[...] nem
mentires, nem usareis de falsidade cada um com o seu próximo” (BÍBLIA, Lv
19.11).
A mentira às vezes pode vir disfarçada de lisonjas, isto
ocorre quando um aluno bajula seu professor para obter melhores notas, o
funcionário elogia seu chefe visando uma promoção, o membro enche o ego do
pastor esperando um cargo ministerial, etc. “a mentira também pode envolver o
uso de palavras lisonjeiras que têm como intenção conseguir algum benefício de
uma pessoa” (PALLISTER, 2005, p. 238).
Negligenciar a correção de uma falsa impressão é também
uma forma de compactuar com a mentira. Interessante que a falsa impressão é
rapidamente corrigida se ela for negativa, porém é fácil cair no erro e aceitar
elogios que na verdade pertence à outra pessoa. Segundo (KEMP, 2001, p. 141)
“Precisamos aprender a nos aceitar como somos e não pretendermos ser algo ou
alguém diferente, porque isso nos precipita à mentira”. Nesta situação a pessoa
não mente só para o próximo, mas para si mesma.
O profeta Jeremias denunciou em seu tempo outra forma de
transgressão ao nono mandamento, as mentiras proferidas como verdades por
alguns religiosos da época. “[...] desde o profeta até ao sacerdote, cada um
deles usa de falsidade. E curam a ferida da filha de meu povo levianamente,
dizendo: Paz, paz; quando não há paz” (BÍBLIA, Jr 8. 10,11). Estes profetas
eram “falsos e mentirosos”, pois não transmitiam a palavra do Senhor, visto ser
esta bastante dura naquele momento, antes preferiam falar o que o povo gostava
de ouvir. Eles diziam “assim diz o Senhor” quando na verdade Deus nada tinha
dito.
Infelizmente esta é uma característica da sociedade
contemporânea, muitos pregadores hoje não falam a verdade da palavra de Deus,
temas como: pecado, inferno, arrependimento, negar-se a si mesmo, são
frequentemente substituído por meias verdades: Deus só quer o seu coração (ele
quer o seu coração e todo o seu ser - 1Ts 5.23), determina que Deus realize
para você (Deus não é o gênio da lâmpada, porém se pedirmos em oração conforme
a vontade do Pai Ele nós concede – 1Jo 5.14) o cristão nunca fica doente (o que
dizer de Paulo, Timóteo, a sogra de Pedro? – Mc 1.29-31), o cristão não pode
ser pobre (porque então Jesus não nasceu em um palácio, e sim numa manjedoura?
– Rm 15.26).
De acordo com (PALLISTER, 2005, p. 239) “O manter
silêncio ou fugir ao assunto quando sabemos que há verdades menos atraentes que
precisam ser anunciadas é uma forma óbvia de mentira”. O apóstolo Paulo já no
Novo Testamento, afirmava que não pregava o que o povo gostaria de ouvir, e sim
aquilo que Deus lhe ordenava.
Pois a nossa exortação não procede de
engano, nem de impureza, nem se baseia em dolo; pelo contrário, visto que fomos
aprovados por Deus, a ponto de nos confiar ele o evangelho, assim falamos, não
para que agrademos a homens, e sim a Deus, que prova o nosso coração. A verdade
é que nunca usamos de linguagem de bajulação, como sabeis, nem de intuitos
gananciosos. Deus disto é testemunha. (BÍBLIA, 1 Ts 2.2-5).
Jesus Cristo não somente ensinou a verdade, mas Ele mesmo
é a verdade. “E disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida”
(BÍBLIA, Jo 14.6). O apóstolo Paulo de igual forma também ensinou os cristãos a
andarem na verdade “Pelo que deixai a mentira e falai a verdade cada um com o
seu próximo” (BÍBLIA, Ef 4.25). O Novo Testamento nos ensina a falar a verdade
em amor, ou seja, devemos saber como falar, e em que momento falar. “A vossa
palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para que saibas como convém
responder a cada um” (BÍBLIA, Cl 4.6).
Tomando por base o que foi dito por Kemp (2001), devemos
procurar andar em sinceridade diante de Deus e dos homens. Devemos evitar:
Ø O
engano - não devemos criar uma impressão ao nosso respeito que não corresponde
à verdade. “Senhor livra-me dos lábios mentirosos, da língua enganadora”
(BÍBLIA, Sl 120.2).
Ø A
lisonja – elogiar alguém sem sinceridade. “Corte SENHOR todos os lábios
bajuladores, a língua que fala soberbamente” (BÍBLIA, Sl 12.3).
Ø O
dolo – tratar uma pessoa de certa forma, com segundas intenções.
“Bem-aventurado o homem a quem o SENHOR não atribui iniquidade e em cujo
espírito não há dolo” (BÍBLIA, Sl 32.2).
Ø O
exagero – aumentar alguma coisa para torná-la mais interessante. “São justas
todas as palavras da minha boca; não há nelas nenhuma coisa torta, nem
perversa” (BÍBLIA, Pv 8.8).
Ø A
mentira – enganar, falsificar, ludibriar com a intenção de ferir ou tirar
proveito de alguém. “Os lábios mentirosos são abominação ao SENHOR, mas os que
agem fielmente são o seu prazer” (BÍBLIA, Pv 12.22).
Ø A
hipocrisia – elogiar a pessoa pela frente, e falar mal dela pelas costas. “Como
vaso de barro coberto de escórias de prata, assim são os lábios amorosos e o
coração maligno” (BÍBLIA, Pv 26.23).
Jesus
Cristo no Sermão do monte deixou-nos as seguintes palavras: “Seja, porém, a tua
palavra; Sim, sim; não, não. O que disto passar vem do maligno” (BÍBLIA, Mt
5.37).
terça-feira, 3 de abril de 2012
Vamos Conversar? Por Kátia Cleone Neves.
São poucas as pessoas que tem uma boa comunicação, na maioria dos casos conversar pode ser uma tarefa bastante difícil.
Por isso precisamos aprender a estimular a comunicação. Assim como o amor precisa ser cultivado, a comunicação interpessoal precisa ser aprimorada.
Muitos problemas seriam mais facilmente resolvidos se estivessemos dispostos a conversar abertamente sobre nossos conflitos, anseios, frustrações, desejos e sentimentos...
A comunicação é bilateral, pois tem a participação daquele que fala e daquele que escuta. Salomão escreveu: "A palavra dita a seu tempo qual boa ela é" Pv 25.11.
Aquele que fala deve falar as palavras certas, no tom certo e no lugar certo. Muitas vezes queremos dizer tudo o que nos vem a mente sem refletir-mos, e ainda nos julgamos sinceros, mais esta sinceridade pode se tornar grosseria, ferindo profundamente o ouvinte.
A Palavra de Deus nós diz que na nossa língua está o poder de vida e de morte. Com a nossa boca podemos contribuir para a edificação dos nossos relacionamentos: Conjugal, pais e filhos, amigos, irmãos em cristo, enfim todos os relacionamentos interpessoais; ou podemos matá-lo.
Também é preciso aprender-mos a ouvir. Ouvir é muito mais do que escutar o que o outro está falando, é mostrar-se interessado.
Muitas pessoas reclamam que em seu relacionamento conjugal não são ouvidas, não recebem atenção quando estão falando, isso machuca, faz a pessoa se sentir menosprezada como se o que estivesse para compartilhar fosse insignificante.
Daí surgem as barreiras, e fica ainda mais difícil conversar sobre assuntos mais importantes como por exemplo, os sentimentos com relação a vida sexual.
As pessoas criam barreiras defensivas que devem ser ultrapassadas, se não levar-mos em conta estas dificuldades a comunicação permanecerá truncada.
Comece a exercitar a comunicação, valorize as pessoas que convivem com você. Pergunte como ela se sente, desejando verdadeiramente ouvir o que ela tem a dizer, elogie, incentive suas atividades espirituais, valorize e compartilhe dos seus sonhos...
Ver como o outro vê, e sentir o que o outro sente, é o grande segredo que quebra as barreiras do tempo, da linguagem e dos sentimentos.
Devemos pedir a Deus sabedoria para solidificar os alicerces dos nossos relacionamentos interpessoais.
Lembre-se:
É bom falar, mais é ainda melhor ouvir.
Aprenda a ouvir com o coração aberto e a mente desarmada.
Invista nos seus relacionamentos interpessoais.
Faça a sua parte e com toda certeza Deus fará a Dele!
domingo, 1 de abril de 2012
O amor de Deus - Por Kátia Cleone Neves.
Este
é sem dúvida o amor mais enigmático de todos os tempos.
Por
mais que eu pense, não consigo entender.Porque eu?
Porque me amou tanto assim?
Fico
a imaginá-lo no seu trono de glória contemplando a terra, e um amor que
transcende todo o entendimento explode incontrolável por todo o seu ser.
Um
amor sem limites...
Sem
cobranças...
Amor
verdadeiro!
Que
sofre...
Espera...
Se doa...
Se doa...
E
foi o que Ele fez, se doou, inteiramente!
Dando-nos
o que de mais precioso Ele tinha: seu único filho!
O
Deus de amor...
Enquanto
percorria em suas majestosa roupagem de glória resolveu parar.
E
assim um dia Ele desceu...
E
pelo caminho se despia.
Para
me redimir, me resgatar.
Quando
volto os olhos para o preço que Ele pagou.
O
Calvário...
A
cruz...
Seu
próprio sangue!
Um
pensamento explode dentro de mim...
Como
poderei não amar, alguém que me amou tanto assim?
quinta-feira, 29 de março de 2012
Honra teu pai e tua mãe - Por Kátia Cleone Neves.
O quinto mandamento (Êx 20.12; Dt 5.16) dá início aos princípios
horizontais, isto é, aos relacionamentos interpessoais. É também o primeiro que
vem seguido de uma promessa, mostrando de forma especial a importância da
família e da união de seus membros.
Deus é o criador de todas as coisas. Ao criar
o homem Ele viu que não era bom o homem viver só. Mesmo rodeado pelas belas
criações de Deus e recebendo a visita do Criador na viração do dia, Adão não
estava completo, ele não tinha alguém da mesma espécie para comungar. Por isto
Deus providenciou para ele uma companheira, uma adjuntora.
E disse o SENHOR Deus: Não é bom que o
homem esteja só; far-lhe-ei uma adjuntora que esteja como diante dele. [...]
Então, o SENHOR Deus fez cair um sono pesado sobre Adão, e este adormeceu; e
tomou uma das costelas e cerrou a carne em seu lugar. E da costela que o SENHOR
Deus tomou do homem formou uma mulher; e trouxe-a Adão. E disse Adão: Esta é
agora osso dos meus ossos e carne da minha carne; esta será chamada varoa,
porquanto do varão foi tomada (Gn 2.18,21-23).
Agora Adão não estava mais sozinho, ele tinha
alguém da mesma essência para se relacionar. Conforme Bentho (2006, p. 24),
[...] Faltava ao homem alguém que lhe
fosse semelhante, ossos dos seus ossos, carne da sua carne, alguém que se
chamasse “varoa” porquanto do “varão” foi formada. Essa correspondência não foi
encontrada nos seres irracionais criados, mas na criatura tomada de sua própria
carne e essência. A mulher era ao homem o vis-à-vis de sua existência. Seu
reflexo. Partida e chegada.
Da união do primeiro casal e dos filhos nascidos deste
relacionamento, surge o núcleo familiar, este não é fechado, mas dinâmico e
assim novos membros vão sendo inseridos neste contexto familiar, formando
também o primeiro sistema social.
O lar é o lugar onde passamos a maior parte das nossas
vidas, ele é uma escola onde aprendemos a nos relacionar, se a família segue os
ensinamentos de Cristo, então este deve ser um local de amor, companheirismo,
solidariedade, cumplicidade. É por isto que Deus nos deixou diretrizes, pois
seu coração de Pai amoroso deseja ver a alegria e realização de seus filhos.
Segundo o Pastor Josué Gonçalves (2002, p 20,21): Quando Cristo é Senhor, o lar
passa a ser: Uma capela. (lugar de adoração em família), Um refúgio. (lugar de
descanso), Uma escola. (lugar onde se aprende a ética cristã).
Para que este núcleo familiar funciona-se dentro da
vontade de Deus, Ele preestabeleceu em sua Palavra as orientações para cada
membro da família. Contudo vamos nos ater ao quinto mandamento e a ordem de
Deus especifica para os filhos. “Honra a teu pai e a tua mãe, para que se
prolonguem os teus dias na terra que o SENHOR, teu Deus, te dá” (BÍBLIA, Êx
20.12). “Honra teu pai e tua mãe, conforme o Senhor, teu Deus, te ordenou, a
fim de que teus dias se prolonguem e que sejas feliz sobre a terra que o
Senhor, teu Deus, te dá” (BÍBLIA, Dt 5.16).
As promessas que acompanham este mandamento têm um
enfoque tanto quantitativo: “para que se prolonguem os teus dias na terra”,
quanto qualitativo: “que sejas feliz”. Como nosso Pai celeste Deus deseja ser
honrado por seus filhos, de igual forma ele deseja que tenhamos esta mesma
postura em relação aos nossos progenitores.
Os filhos têm a obrigação de cuidar, respeitar, amar e
honrar seus pais. “ “Honrar” traduz o vocábulo kabod e significa dar peso, dar
importância, dar significado, valorizar, venerar, ter apreço, prestigiar”
(REIFLER, 2009 p.46). Segundo o pastor Jaime Kemp (2001, p54) “Honrar alguém é
dar importância à pessoa encarando-a como um presente de alto valor e
colocando-a em posição digna de grande respeito em nossa vida”
Este mandamento não se restringe apenas as crianças, ele
continua tendo o mesmo peso para os adultos, encanto nossos pais viverem devem
ser honrados por nós. “Ouve a teu pai, que te gerou, e não desprezes tua mãe
porque envelheceu” (BÍBLIA, Pv 23.22).
Os pais idosos devem ser assistidos por seus filhos na
velhice, esta assistência deve preencher todas as suas necessidades de ser
integral, isto diz respeito às necessidades emocionais, espirituais, afetivas e
financeiras. Os fariseus foram repreendidos por Jesus, por não dar assistência
aos seus pais, no lugar de cuidar deles, eles davam ofertas ao tesouro do
templo e assim achavam que estavam livres de suas responsabilidades filiais.
Pois Moisés disse: Honra teu pai e tua
mãe, e ainda: Aquele que amaldiçoar pai ou mãe seja punido de morte. Mas vós
dizeis: Se alguém disser a seu pai ou à sua mãe: o auxílio que devias receber
de mim é qorban, isto é, oferenda... vós permitis que ele nada mais faça por
seu pai ou sua mãe: assim anulais a palavra de Deus com a tradição que vós
transmitis (BÍBLIA, Mc 7.10-13).
A palavra de Deus nos garante longevidade e felicidade ao
obedecermos a seus mandamentos, quando honramos nossos pais estamos honrando a
nós mesmos, e deixando um maravilhoso exemplo para os nossos filhos.
Todos nós, como filhos, temos
semelhanças que herdamos de nossos pais, como características emocionais,
tendências e, em nossos corpos as marcas genéticas deles. Os cromossomos são os
“tijolos” que o Senhor usa para construir nosso desenvolvimento físico e na
concepção, a metade exata deles vem de cada progenitor. Sendo assim, é óbvio
que nunca poderemos escapar da influência de nossos pais. Cada célula do nosso
corpo declara e evidencia a imagem deles em nossa vida. Por isso, quando Deus
fala para os filhos honrarem seus pais é porque ao desonrá-los não fazemos nada
além de desonrarmos a nós mesmos! (KEMP, 2001, p. 58).
A observância das instruções do Senhor nos conduz a
trilhar um caminho iluminado, pois a sua Palavra é luz (Sl 119.105), quando
ignoramos seus mandamentos e tratamos nossos pais com rancor, e desrespeito
contínuos estamos sendo conduzidos a escuridão, e aquele que anda em trevas,
tropeçará. (1 Jo 2.9-11).
Sabemos que na sociedade contemporânea existem inúmeros
conflitos familiares, muitas vezes os pais não são aquilo que deveriam ser para
seus filhos, contudo estas situações não invalidam as diretrizes divinas. Jesus
nos concede graça para que possamos cumprir sua palavra, precisamos nos
submeter à ação do Espírito Santo para que Ele aja em nossa vida. “O amor não é
manufaturado. É algo que Deus cria em nosso coração, que o Espírito Santo
produz quando nos colocamos sob sua dependência, na totalidade do nosso ser, de
nossas emoções, ações, pensamentos e permitimos que Ele aja” (KEMP, 2001, p.
31).
No Novo Testamento a relação familiar deve ser
estruturada de forma bilateral e dialética, ou seja, os pais e os filhos têm
privilégios e responsabilidades. O apóstolo Paulo em sua epístola aos Efésios
nos elucida sobre a atitude deste relacionamento bilateral. Os filhos devem
honrar aos seus pais, isto inclui a obediência, o respeito e a assistência. E
os pais devem amar seus filhos, cuidar de suas necessidades e instruí-los no
caminho e no temor do Senhor.domingo, 25 de março de 2012
Quando a resposta de Deus não é a que esperamos - Por Kátia Cleone Neves.
Eram 10h15min da manhã do dia 22
de outubro de 2005, não sei como estava o dia lá fora... Meu coração estava apertado, um misto de
desespero e esperança, eu estava andando de um lado para o outro dentro do
quarto de hospital...
Deitado ali naquele leito estava meu pai, contudo... Não parecia ser ele, meu pai sempre foi vibrante, alegre, agora o homem que eu via estava calado, magro, frágil...
De repente ele levantou a mão e
eu me aproximei, parecia que ele tinha lido o meu coração, então ele colocou a
mão sobre a minha cabeça e orou: “Senhor, concede paz ao seu interior, que a
vida dela seja uma benção, que ela sempre possa te servir com um coração
voluntário”...
Meu querido pai, falando com seu
pai celestial ao meu favor. Seu corpo físico estava frágil... Porém seu
espírito se fortalecia.
Orar era para ele um hábito e um prazer adquirido ainda na tenra idade.
Nasci em um lar cristão, e tive
minhas experiências pessoais com Deus ainda na minha infância e adolescência, tudo
corria bem...
Em outubro de 2005, meus pais
vieram de Criciúma, onde meu pai era pastor vice-presidente para me visitar,
antes de retornar a Criciúma meu pai orou por mim e eu fui viajar para São
Miguel do Oeste onde iria ministrar em um congresso infantil.
Quando retornei, recebi a noticia
que meu pai estava doente, liguei para minha mãe e ela me falou que ele estava
esquecendo as coisas, o médico tinha diagnosticado com estresse, porém durante
a semana ele foi ficando cada dia pior, e quando liguei na sexta-feira, mamãe
falou que ele não se lembrava dela, fiquei desesperada e fui a Criciúma buscar
eles para que ele fosse tratado aqui em Itajaí.
Foi assim que se iniciaram os vinte dias mais difíceis da minha vida. Meu pai foi internado e diagnosticado com três tumores no cérebro (Gliobastoma multiforme).
A cada dia seu corpo físico
ficava mais debilitado, contudo seu homem interior se fortalecia, ele não
lembrava quem eu era, mas continuava a orar e pregar de uma forma tão maravilhosa
que muitos saiam daquele quarto edificados. Jesus curou o moço que estava
internado no mesmo quarto esperando para ser operado, e ele aceitou a Jesus
como seu Salvador.
Muitas pessoas me diziam que
Jesus iria curar o meu pai, que era apenas para que tivéssemos experiência com
Ele... Durante esses dias quando meu pai estava chorando eu perguntei para ele
se estava com muitas dores, ele me olhou com os olhos verdes brilhantes,
começou a falar em mistérios e me disse: “O céu é muito lindo, os anjos vão me
servir, Jesus está me esperando”
Daquele quarto em apenas vinte
dias, eu vi meu pai deixar a esfera terrena, sua mente esqueceu-se das coisas
daqui, mas em nenhum momento ele se esqueceu da Palavra de Deus...
No dia 4 de novembro, meu pai
falou que o Senhor o estava chamando e assim rodeado por suas quatro filhas,
quando eu ainda estava com minhas mãos sobre seu peito clamando a Deus por sua
vida, ele partiu... Retornou ao seu lar,
o lar que ele tinha tantas saudades.
Hoje estou compartilhando com
você esta experiência, para salientar a importância de estarmos firmados na
Palavra de Deus, não em sentimentos, não em emoções, mas na Palavra de Deus...
Muitos por emoção nos falaram que
Jesus iria curar o meu pai, muitas igrejas estavam em oração por Ele no Brasil
e exterior... Porém Deus é Soberano e Ele tem o direito de fazer o que lhe
apraz.
Se eu e minha família tivéssemos nossa
fé fundamentada em sentimentos, em palavras humanas talvez após não se cumprir
as previsões, tivéssemos nos decepcionado com Deus, mas por conhecer a sua
Palavra continuamos a servi-lo de todo o coração. Deus é amor, e apesar da dor
e da saudade eu sei que Ele sempre faz o melhor e cuida de nós.
Se você está passando por
adversidades confie no Senhor, ele sempre responde as nossas orações com aquilo
que é o melhor...
Embora às vezes sua resposta possa
ser não.
Não a nossa vontade...
Pastor: Antonio Neves
quinta-feira, 22 de março de 2012
Alegrai-vos na esperança! Por Kátia Cleone Neves.
A esperança pela sua própria natureza diz respeito ao futuro. Por isso o Apóstolo Paulo nos diz no capitulo oito e versículos 24,25 de Romanos:
Porque, em esperança, somos salvos. Ora, a esperança que se vê não é esperança: porque o que alguém vê, como o esperará? Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o esperamos.
Percebemos então que a esperança está intimamente ligada à confiança a fé (Hb 11.1).
O mundo vive hoje uma escassez de esperança, justamente porque a esperança do mundo tem sido depositada em alicerces que não podem sustentar esta esperança de forma efetiva. A sociedade contemporânea tem como fundamento basilar da sua esperança, homens, bens materiais, saúde, posição...
Muitos depositam sua esperança de um futuro melhor em homens, em tempo de eleição política vemos como as pessoas procuram encontrar alguém que possa contribuir para melhorar as condições socioeconômicas, permitindo assim uma vida mais justa e feliz.
Outros depositam suas esperanças em seus próprios bens, acreditam que as riquezas são as fontes de alegria e segurança futura.
A saúde e o vigor físico da juventude são para muitos sua segurança e esperança de um futuro bem sucedido, nesta sociedade que enaltece o narcisismo e o hedonismo.
Porém, fazendo uma análise do sistema basilar da sociedade contemporânea, percebemos a fragilidade da mesma. Desta forma com o passar do tempo vemos a esperança se transformando gradativamente em decepções, em frustrações, angustias e depressões.
O salmista Davi faz um paralelo entre “Esperança” e “Confiança” quando nos diz: Uns confiam em carros e outros em cavalos, mas nos faremos menção do nome do Senhor nosso Deus (Sl 20.7).
Enquanto o mundo vive aflito não tendo um fundamento firme que sustente a sua esperança, nos os filhos de Deus podemos nos alegrar, conforme nos instrui o apóstolo Paulo em sua carta aos Romanos 12.12: Alegrai-vos na esperança.
Os cristãos em Roma a quem a carta do Apóstolo foi endereçada não viviam um mar de rosas, enfrentavam perseguições, lutas e provações, porém Paulo diz que eles devem se alegrar, isso não se refere a uma alegria momentânea, ou passageira fruto da ausência de adversidades, refere-se a um verdadeiro regozijo.
Mas, como isso é possível? Existem realmente motivos para que os filhos de Deus se alegrem, há esperança em meio a este mundo conturbado em que vivemos?
A resposta é sim! Sim podemos nos alegrar, podemos nos regozijar, porque a nossa esperança têm um sólido alicerce, não muda, não sofre variações, não mente...
O sistema basilar da esperança do cristão é constituído de três alicerces:
1. Deus e seus atributos incomunicáveis e comunicáveis;
2. Jesus Cristo e sua obra consumada;
3. A palavra de Deus.
Quando tiramos nossos olhos dos problemas cotidianos e erguemos nossos olhos e pensamentos para o nosso Deus, trazendo a memória aquilo que nos dá esperança, relembrando e meditando em sua grandeza, misericórdia e amor, somos restaurados e nossa esperança é edificada.
Precisamos lembrar de quem Deus é, dos seus atributos, precisamos trazer a memória que apesar das adversidades da vida Ele é o Grande EU SOU, e continua no controle de todas as coisas.
De igual forma ao olharmos para Jesus trazendo a memória sua obra consumada na cruz, somos fortalecidos e nossa esperança é avivada.
Outra vez diz Isaías: Uma raiz em Jessé haverá, e naquele que se levantar para reger os gentios, os gentios esperarão. Ora o Deus de esperança voz encha de todo o gozo e paz em crença, para que abundeis em esperança pela virtude do Espírito Santo (Rm 15.12,13).
Jesus é a raiz de Jessé, e em sua vida, morte e ressurreição podemos nos alegrar. Por meio de Cristo fomos reconciliados com Deus, e como seus filhos podemos confiar que nosso pai supri as nossas necessidades.
A Palavra de Deus é o terceiro alicerce onde você pode fundamentar a sua esperança, nela encontramos conforto e promessas que jamais passaram. Porque tudo o que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito, para que pela paciência e consolação das Escrituras tenhamos esperança (Rm 15.4).
Destartes quero trazer a memória o que nos trás esperança, e convidar você a ser o portador desta mensagem a esta sociedade aflita onde você está inserido.
quarta-feira, 21 de março de 2012
Ética e Religião - Por Kátia Cleone Neves.
A discussão entre os gregos antigos girava em torno da cosmologia, [1] era necessário produzir doutrinas práticas que orientassem o viver bem. Este viver bem era alcançado através da virtude e da harmonia em atitudes diárias com o próximo e com a natureza.
A harmonia com a natureza, não se resumia apenas a uma questão ecológica, mais a uma questão moral, pois eles acreditavam que existia uma lei moral no mundo, esta lei permitia ao homem viver e se realizar como ser humano racional, ou seja, viver de acordo com a sua natureza.
Destarte, a lei moral seria um aspecto da lei natural. As religiões antigas, assim como a religião grega era bastante naturalista, para estes povos os deuses eram personificações das forças naturais. Portanto, ser ético ou moral era viver e agir de forma a satisfazer os deuses, tais como: o raio, a força, a chuva, a terra, etc.
A religião judaica vem trazer uma mudança significativa nesta forma de compreender o mundo e se relacionar. Diferente da concepção grega, o Deus de Abraão, Isaac e Jacó, não se identifica com as forças da natureza, pois ele é um Deus Transcendente, estando acima de tudo o que há de natural.
Esta compreensão de um único Deus superior as forças naturais, traz uma mudança profunda em termos éticos e morais. De acordo com (VALLS, 1994, p.36).
Em termos éticos ou morais, isto tem uma consequência profunda: quando o homem se pergunta como deve agir, não pode mais satisfazer-se com a resposta que manda agir de acordo com a natureza, mas deve adotar uma nova posição que manda agir de acordo com a vontade do Deus pessoal.
Para agir de acordo com a vontade de Deus, se faz necessário conhecer a Deus e a sua vontade. Sendo Deus grande em misericórdia não deixou a humanidade sem este conhecimento, antes se revelou, de forma que todos possam conhecê-lo e se relacionar com ele de forma pessoal e amorosa.
Como seres humanos finitos, não poderíamos por nos mesmos conhecer a Deus que é infinito e transcendente, a não ser que Ele se revelasse a nós. Por seu infinito amor, Deus tornou possível o conhecimento da sua vontade para a humanidade. A princípio por meio de suas obras, isto é, a criação.
Os céus proclamam a glória de Deus; e o firmamento anuncia as obras de suas mãos. Um dia faz declaração a outro dia, e uma noite mostra sabedoria a outra noite. Sem linguagem, sem fala, ouvem-se as suas vozes, em toda a extensão da terra, e as suas palavras até ao fim do mundo (BÍBLIA, Salmos 19. 1-4).
Porém, na Palavra de Deus temos uma revelação muito maior e especial, sendo dupla esta revelação:
Ø A Bíblia – a palavra escrita,
Ø Cristo – a palavra viva (Jo 1.1).
Devido à queda do homem esta dupla revelação se tornou necessária. “A revelação especial era necessária porque a raça humana havia perdido o relacionamento de favor que, antes da queda, tinham com Deus” (ERICKSON, 2008, p.56).
Diferente então dos filósofos gregos, os hebreus, não partiram em busca do viver bem, como o objetivo final da existência humana. Os descendentes do patriarca Abraão, e herdeiros da aliança divina, procuravam viver e agir pautados no conhecimento de Deus e em suas instruções.
Estas instruções foram dadas por Deus ao seu povo, por intermédio de seu servo Moisés no Sinai, no decálogo encontramos as orientações para o viver diário, bem como para o relacionamento com Deus.
A revelação de Deus é voltada para a educação e o aperfeiçoamento do homem, diante disto podemos dizer que Ele é um Deus pedagógico, buscando no caminhar diário, ensinar e conduzir seus filhos a uma vida de plenitude, tanto terrena como eterna.
Na Bíblia encontram-se as orientações para uma vida de fé e de prática, a ortodoxia[2] e a ortopraxia[3] não se exclui, mas juntas representam a revelação de Deus para a humanidade.
Diante deste contexto podemos perceber a diferença basilar entre a ética filosófica e a ética cristã. Embora as duas se preocupem com assuntos morais, a metodologia utilizada pela visão filosófica é quase oposta a da ética cristã.
ÉTICA FILOSÓFICA E ÉTICA CRISTÃ
A ética filosófica busca a verdade e o bem pela razão, conforme os conceitos da época, por isto é mutável e relativa. Ela é descritiva e subjetiva.
A ética cristã não busca a verdade e o bem primeiramente pela razão, ela não exclui a razão, mas a leva cativa à obediência de Cristo. Ela é imutável e absoluta, com caráter objetivo e normativo.
ÉTICA FILOSÓFICA
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ÉTICA CRISTÃ
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Ciência dos costumes e hábitos
|
Revelação da vontade divina
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Descritiva
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Normativa
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Relativa
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Absoluta
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Imanente
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Transcendente
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Situacionista
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Direcionista
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Subjetiva
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Objetiva
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Mutável
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Imutável
|
Quadro 1 – Fonte: REIFLER (2009. p.16).
A ética cristã vai além dos costumes, comportamentos ou atitudes, ela direciona o homem para viver de acordo com a vontade de Deus, e mostra o bem e o mal de acordo com o que está revelado nas Sagradas Escrituras. Contudo ela não é apenas lei, ou norma, ela é vida e evangelho. Sua abordagem parte de uma visão teológica, cristã e evangélica.
Ø Visão Teológica: Para se viver uma ética cristã é imprescindível conhecer a Deus. Todo o estudo do comportamento moral da humanidade parte e é determinado pelo conhecimento de Deus e de sua revelação registrada nas Sagradas Escrituras. É uma ética teocêntrica, e não antropocêntrica, isto é, o centro é Deus, não o homem.
Ø Visão Cristã: Cristo é o centro, e o exemplo da ética cristã. Ela só é cristã, pois é condicionada a Cristo. Para se viver uma ética cristã, é preciso seguir os ensinamentos de Cristo, revelados nas Sagradas Escrituras.
Ø Visão Evangélica: A ética cristã é evangélica, pois parte da reflexão do evangelho, ou seja, das boas novas encontradas na Palavra de Deus, estas boas novas são encontradas tanto no preâmbulo do decálogo como nas boas novas que Jesus Cristo pregou e viveu.
A ética cristã tem seu alicerce no conhecimento de Deus, por isso antes da ortopraxia é preciso conhecer a ortodoxia, pois é o conhecimento da verdade que leva o homem através da atuação do Espírito Santo, a uma ação correta. “O ser e o fazer estão implícitos no crer, bem como o verdadeiro crer influencia o ser e resulta no fazer” (REIFLER, 2009, p.32).
A estrutura basilar da ética cristã está em se conhecer a Deus e a sua vontade.
[1] Estudo filosófico do mundo.
[2] Ortodoxia – conjunto de doutrinas provindas da Bíblia, e tidas como verdadeiras de conformidade com os credos, concílios e convenções da igreja.
[3] Ortopraxia – Pureza da prática cristã – o agir correto.
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